domingo, 24 de dezembro de 2023

Às voltas

Olhei para os sonos e logo percebi que se tratava de um palíndromo. De repente senti-me preso em mim mesmo, às voltas, do princípio para o fim e vice-versa. Revia constantemente tudo à minha volta como se fosse a primeira vez. 

O nosso mundo completava-se agora de forma uníssona. Viera sobre mim um forte sentido de estar.

Não me considerava sonso. Pretendia realmente dar tudo de mim mesmo, sem segundas intenções. Por fim, veria que tudo coincidira.

Natal das crianças

 É natal! E nesta quadra festiva todos gostamos de receber presentes.  Eu recebi entre outros uma coluna blutu. Acho que não se escreve assim mas em Portugal por vezes escrevemos como falamos. Talvez cá e noutros países também.

A minha coluna blutu tem várias cores.  Eu carrego num botão e as cores vão mudando.  Rosa, azul, verde, amarelo, encarnado. Agora já posso ouvir as minhas músicas preferidas, tipo do panda, com o som mais alto e dançar também.

quinta-feira, 30 de novembro de 2023

Rainha das Aventuras

Seja em que circunstância for, o livro das histórias fantásticas, constituído para educar os mais distraídos, foi, em tempos de grande instabilidade, uma peça fundamental para encantar os petizes na hora de dormir. Hoje, instalado na prateleira das aventuras, jamais poderá ser usado como instrumento lúdico. Apesar do seu conteúdo instrutivo, a monstruosa rainha das aventuras transforma-se na tormenta das palavras, transtornando o leitor mais incauto, com as suas incansáveis sagas pelo mundo das imaginárias façanhas épicas.


terça-feira, 10 de outubro de 2023

Pensadores

Na verdade, nunca gostei muito de filosofia. Ficava com uma sensação de me levar para trás das grades. Sempre preferi executar tarefas com as palmas das mãos. Atualmente, necessito de jogar com as palavras muito intensamente. Já me esqueci dos quadros de xisto. Agora, os pensadores são mais finos e usam todos lindas gravatas, mas não esquecendo, todavia, que isso implica outras responsabilidades, tal como, não querer fazer dos outros uns trouxas mas contribuir para mais conhecimento.

quinta-feira, 5 de outubro de 2023

Porquê Eu? Aqui? Agora?

Submergi nos meus pensamentos por tão extensos que eram. Suavemente deixei-me levar às profundezas do meu ser onde conscientemente procurei entender a minha existência.  Porquê Eu? Aqui? Agora? 

Estremeci! Confrontado fui com a realidade dos acontecimentos. Recuso me submeter a fúteis ilusões cujo resultado é vão.

Há sinais, avisos que me chegam e tocam. Inundam a minha mente. Não me deixam respirar. Entorpecem o meu juízo. Volto às minhas raízes. Não as posso abandonar.

Decido com probidade.

Missão

Tinha uma missão a cumprir.  A hora ia avançada. Submergi neste propósito como se entrasse num sonho. Suavemente deixei-me levar. 

Por qualquer razão sentia um aviso iminente dentro do meu ser. Avancei sem me submeter a fúteis ilusões que pudessem  comprometer o meu dever. Por mais extenso que fosse o percurso tinha uma responsabilidade.


Lutava contra as horas para encontrar o artefato. Poderia agora não entender mas o resultado de tal descoberta mudaria o curso da história. 

sexta-feira, 22 de setembro de 2023

Star

Staring at the beautiful skylight

Through it i see them shinning

All together like living dots

Remotely they

Stand


[#1]

quarta-feira, 20 de setembro de 2023

A Silhueta

Era já final de tarde. No trilho ao longe surgia a silhueta daquela singela casinha. De cor clara, confundia-se com a paisagem da pradaria.

Tinha portas e janelas, mas sem puxadores. Era a nossa imaginação que as abria. Estórias de fadas e duendes nas suas atarefadas vidas, contadas naqueles irregulares degraus, tão diferentes quanto nós. As telhas deixavam passar a chuva, que anunciava a cadência das emoções dos dias passados.

Desmesuradamente as ervas medravam, a casita envelhecia.


A Casita Clara
Amadeo de Souza Cardoso
A Casita Clara

quarta-feira, 13 de setembro de 2023

Escrever um texto

Voltar atrás é também uma forma de começar. Ir até ao início e reflectir sobre o desafio proposto.

Vamos então passar a ação. Escrever um texto que inclua três palavras obrigatórias, mas apenas uma só vez.

Podemos começar com um verso de Camões: “Amor é fogo que arde sem se ver” e sobre ele conjeturar, ou então, escrever apenas sobre de que forma pode um “sorriso” influenciar a nossa disposição.

Sob pena de não conseguir escrever. Escrevi!


terça-feira, 12 de setembro de 2023

Sobre "eis a questão" de Alfredo Luz

Sinto-me aconchegado neste lugar. Pelo menos esta é a sensação que me conforta.

Este manto protege-me do sol durante o dia, e do frio durante a noite. Mas será suficiente? Poderei sobreviver assim, sozinho? Preciso de companhia, conviver com outros, voar sem parar, descobrir os meus limites.

E se os meus limites não passarem desta portinhola aberta? Olho e observo o instrumento que poderá pôr termo à minha existência. Imóvel, condiciona a minha vontade, a minha liberdade!


"eis a questão" de Alfredo Luz


segunda-feira, 11 de setembro de 2023

Ninfas

Duas ninfas sobre um penedo. Que estariam elas a conspirar? Para o céu olhavam e com pequenos rasgos de motejo, riam entre si. Desconfiadas olhavam em volta. Fitaram em mim os seus olhos. 

Chamaram-me. 

De repente senti um profundo anelo para me juntar a elas. O aroma apaziguante a canela emanava de ambas. Um autêntico frenesi me envolveu e consumiu.

Entretanto, coloco a minha luneta, manejo a minha caneta de aparo, e desato a escrever um soneto.

sexta-feira, 8 de setembro de 2023

Atravesso


Ao longo do meu caminho

por sinuosas cordilheiras atravesso

quando o trilho alivia, logo

antecipo novos obstáculos.

Quero desapegar e serenar 

impõe-se a responsabilidade, 

o respeito e a humanidade.

Desvanecem-se as forças e

a sanidade parece vacilar.

Fecho os olhos, reflito, escuto

as vozes interiores que me atropelam e

confundem-me o discernimento.

Inflige a fadiga!

Não há quem melhor consiga

desta tormenta me livrar.


sexta-feira, 1 de setembro de 2023

Lugar querido

 

A grande maioria de nós tem um qualquer lugar que marcou, mais ou menos, a nossa infância. O meu ficava nos vales (ou fica, porque ainda existe), por onde passa um rio, mais para o centro-norte do país. Chegar lá era uma verdadeira aventura na estrada. Levantávamo-nos às 4h30 da madrugada para iniciar viagem pelas 5h30 o mais tardar. Não podia faltar o farnel para o pequeno almoço, que tomávamos a certa altura à beira da estrada. A viagem terminava após 6h de caminho, já pela hora do almoço quando lá chegávamos.

Como só havia um telefone na aldeia, era onde a minha avó recorria para ligar à minha mãe, para dizer que tínhamos chegado bem. E para ligar durante a semana, a contar novidades. A contagem das chamadas era por impulsos, por isso não havia tempo a perder com grandes detalhes. Cada impulso era muito caro, pelo menos para nós era!

Naquele tempo a praia fluvial era feita de seixos, uns maiores outros menores, uns mais achatados que outros. A água do rio seguia tão limpa que se podia ver o fundo e os peixes a fugir. Havia ainda as bateiras, que eram utilizadas para atravessar o rio ou para pescar, embarcações sem quilha e de fundo chato, feitas de forma artesanal, naquele tempo.

Tinha uma pequena cana de pesca que o meu avô me fez, mas acho que nunca pesquei qualquer peixe com ela. Era mais pela emoção de ter uma cana de pesca artesanal do que propriamente com a quantidade de peixe que podia pescar. Também gostava muito de escolher um seixo dos mais achatados, lançá-lo à água e vê-lo a saltar três e quatro vezes, quantas mais melhor.

A minha avó e as outras mulheres da aldeia lavavam a roupa junto ao rio. Batiam a roupa com força nos seixos de maior dimensão e depois de a bem torcer deixavam a secar ao sol.

A modesta casita onde morávamos, que já tinha sido morada da minha bisavó, não tinha água canalizada, nem casa de banho, nem esgotos. Apenas uma entrada com cozinha, e duas camas separadas por um cortinado. Somente havia uma pequena janela por cima do lava-loiças. A água potável, que usávamos em casa, ia buscar com um cantaro de plástico ao chafariz que ficava no fundo da ladeira. Ficava mais difícil voltar a casa com o cantaro cheio de água.

Durante as férias da escola, altura em que normalmente ia para a aldeia, lembro que o meu pai levava lápis, cadernos, borrachas, afias, canetas, para os miúdos da escola da aldeia, que era uma forma de poder ajudar aqueles meninos. Eles ficavam muito felizes com todo aquele material escolar.

Depois havia a tia Alice, que eu chamava de tia mas não era minha tia. Talvez soasse bem dizê-lo. A tia Alice fazia umas broas de milho divinais, cozidas em forno a lenha. Adorava comer as fatias de broa, ainda quentes, com manteiga derretida. Ainda hoje sinto o cheiro a fumo na cozinha da tia Alice, e as broas de milho a sairem do forno. Como não tínhamos laleira na nossa modesta casa, passava os serões na cozinha da tia Alice, só para ver o fogo a consumir a lenha na lareira de chão. Claro que não me esqueço da toira, implacável no seu curral, a quem lhe dei o nome de “Loira” porque era de cor castanha clara. Quando, no ano seguinte, retorno à “minha” aldeia, constato que a Loira já lá não está. Tinha sido abatida para providenciar alimento à família.

Em tempos idos, havia um pequeno café / minimercado na aldeia, onde se podia comprar pouco mais que um sumo, ou conservas. Se queríamos peixe ou carne teríamos de esperar pelo “petrolino”, acho que se chama assim porque vendia petroleo para os candeeiros de pavio, única iluminação de casa, à noite. O petrolino trazia também de tudo um pouco: sumos; enlatados; bacalhau seco; peixe fresco; carne; e muitos mais alimentos. Era o verdadeiro abastecedor da aldeia, naqueles tempos.

As pessoas da aldeia subsistiam muito dependentes do que cultivavam, que era essencialmente milho. Também cultivavam batata ou feijão, mas em menores quantidades. O milho que produziam servia não só para consumo próprio, mas também para vender e arrecadar algum dinheiro. A produção de animais (porcos, vitelos, cabrestos) também se destinava, essencialmente, a consumo próprio. Quando por lá estava gostava de ajudar a espalhar o milho nas eiras, para secar. Sentia-me útil ajudar e participar nas tarefas artesanais dos habitantes da aldeia. Alguns deles eram ainda meus familiares, embora primos mais afastados. Nas aldeias somos todos, mais ou menos, primos, por razões óbvias e naturais.

Não me posso esquecer de referir a saga dos incêndios que todos os anos assolavam a aldeia. Lá um ou outro ano os incêndios florestais chegavam mais perto ou atingiam mesmo os pinhais que envolviam a aldeola. Sempre era uma preocupação, pela nossa segurança, como pela destruição de culturas e criação de animais. As folhagens, ainda em chama, que chegavam perto das casas, trazidas pelo vento, faziam espoletar focos de incêndios, que esforçávamos por prontamente apagar.

Na passagem de ano não havia fogo de artifício, como nos centros urbanos. Mas havia seguramente muitas tampas de tachos e panelas a bater umas nas outras. O som ecoava pela aldeia toda. Todos à uma faziam com que parecesse um grande fogo de artificio, bem sincronizado. Assim era recebido o ano novo na aldeia onde tantos fins de ano passei.

Hoje tudo mudou, já não há praia de seixos. As represas de contenção no rio, fizeram subir o nível das águas, o que lamentavelmente fez com que a beleza natural destas praias fluviais viesse a desaparecer. As águas são escuras (talvez mesmo sujas) pelo que já não é possível ver o leito do rio como antigamente. As gentes da aldeota são cada vez menos. Com o passar dos anos, e o inevitável envelhecimento dos habitantes, a população vai diminuindo. Os filhos e os netos têm-se deslocado para os centros urbanos, ou mesmo para o estrangeiro (procurando melhores condições de vida). A aldeia está a ficar deserta, as casas estão a deteriorar-se, se não mesmo a cair aos poucos. A modesta casa donde tantas memórias retenho, está à venda (sabe-se lá por quem!). Já faz alguns anos que o chafariz secou. Nem bica tem, mas está pintadinho de fresco!

Sem qualquer manutenção e intervenção humana, a aldeia vai sendo consumida pela própria natureza, sucumbe claramente aos pés da intempérie. 


Adeus Lugar Querido!

quarta-feira, 30 de agosto de 2023

Preconceitos


devíamos escolher um mote ou princípios orientadores de vida?
ou 
ficaríamos limitados? 

possivelmente ao optar por diversos princípios tais como:
nunca desistir
ser grato
ajudar outros
integridade
verdadeiro
honesto
...
que lema então poderia acolher os princípios de vida?

viver sem preconceitos

Tempo

o tempo foge-nos
de repente já não o avistamos
não cuidamos dele
deixamos que nos domine

As Gaivotas e as Pedras

Estavam, a certa altura, um conjunto de pedras descansadinhas no seu lugar, sentadas à beira-mar. Subitamente, eis que surgem quatro emproadas gaivotas que confortavelmente sobre elas poisam. Com suas patinhas malandras, as gaivotas começaram a irritar as majestosas pedras.

Numa esforço vão, tentaram ainda as pedras sacudir as insolentes gaivotas. Contudo, sem sucesso, apenas lhes restavam esperar que, por algum tipo de milagre, o mar as sacudisse com o movimento brusco de uma qualquer onda mais enérgica.


Medusa

Naveguei pelos mares. Por vezes faltaram-me as forças. Tive momentos de febre. Vivi como um rato de porão. Já tinha saudades da minha vida de luxo.

Podia agora estar sentado numa poltrona, no lobby do meu hotel, a ver os hóspedes entrar e sair. Apreciar a imagem de Medusa, imponente, pintada a óleo, sob um realístico leque de cores.

Mas não! Encenei a minha fuga em prol de um mito. Se a encontrar, não retornarei, nunca, jamais!


Carrossel mágico

“Só se fosse louco”, explicou o rapaz ao dono do carrossel. “Acha mesmo que vou entrar nesse brinquedo em andamento?”, disse o petiz.

Mas o homem insistia, “Vá lá! É divertido!”

O rapaz bem se lembrava que no ano passado tinha partido a cabeça ao tentar semelhante proeza.

Mas quem achava que entrar num carrossel em funcionamento, era seguro e divertido?

Este ano já se tinha decidido: segurança em primeiro! Entrar no carrossel, só se estiver parado.

Ampulheta de areia

A minha avó adorava costurar. Tinha montes de carrinhos de linhas da sua máquina cor de azul céu. O que mais gostava era ficar sentado no sofá a vê-la costurar.

O quarto tinha uma pequena janela por onde corria uma suave brisa, com aroma a limão, que vinha das folhagens daquela lúcia-lima plantada mesmo em frente.

Permanecem até hoje estas minhas memórias como que petrificadas em sal, onde a ampulheta de areia deixou de marcar o tempo.

Escrever

Não seria mais um, seria o primeiro a fazer a diferença. O seu contributo era simplesmente diferente. Tudo fazia para dar um contributo que se traduzisse em mais-valia para o trabalho da equipa.

O desafio consistia precisamente nisto: “porquê escrever?”

Todos defendiam que bastava conversar e que assim seria suficiente para, no futuro, nos lembrarmos dos objetivos a atingir.

Para ele, ao escrever seria muito mais fácil acompanhar o papel de cada um nas tarefas a realizar.

terça-feira, 29 de agosto de 2023

Grato!

 E de repente

Tudo parece estar a desmoronar
A virtude esvai-se em nada
A esperança converte-se em
Incertezas cada vez mais certas.

O cansaço dos dias passados
Materializa-se no esquecimento
Dos dias presentes
Resta fazer o que há a fazer,
O mínimo que nos permitem.
Talvez o mínimo seja mesmo
O que é possível.

Gostaria que fosse diferente
Que as memórias não fugissem
Que as forças não faltassem
Que as palavras não perecessem.
E acima de tudo que o brilho da vida
Não se apagasse.

Apesar de tudo.  Grato!

Palmeira

 Que linda palmeira, conjeturou o meu amigo. Apesar da sua imponência, o vento do norte não lhe dava descanso.

Olhei pelo buraco da fechadura. A imagem que observei é incrível. A forma, as cores, o balancear das folhagens mais parece que conversam entre si.

Conversas do vento, de cá e de lá a sussurrar mensagens que nunca ninguém ouviu. O cinto soltou-se-me e fiquei ainda mais espantado com o que vi.

A palmeira dançava com o vento!

O Espólio


Recebo inexplicavelmente uma carta. Vinha de “Artefactos e Esculturas”. Dizia: “Ao titular beneficiário do espólio, Mr. A.K.S.” as iniciais do meu nome. A videoconferência seria às 10h do dia seguinte, conforme exposto na convocatória. Seria da minha tia-avó? Para ser franco, não fazia a mínima ideia do seu paradeiro. Mas estava curioso, confesso! Não queria influenciar nem ter qualquer interferência no que quer que seja. Sempre tive com ela um comportamento perfunctório. Passei com ela muitos verões!

terça-feira, 3 de janeiro de 2023

Operação 2023

 Agora que o novo ano arrancou, é também essencial definir novas resoluções. Este ano proponho-me a ler, no mínimo, um livro por mês. Quanto ao exercício físico, deverei cumprir pelo menos 10 mil metros de corrida por semana. A minha dieta exige que emagreça 3 quilos e mantenha esse peso durante todo o ano.

Para além disso tudo, não esquecer de ir trabalhar, acompanhar os filhos na escola e nas atividades extracurriculares.

Encontra-se aberta a Operação 2023!