Staring at the beautiful skylight
Through it i see them shinning
All together like living dots
Remotely they
inundam o meu espaço. chegam por sms, email, im, debaixo da porta de casa, aparecem também em post-its de várias cores e tamanhos. vêm com letras, imagens, desenhos, setas e todo o tipo de indicações. Chegam assim, essencialmente, as minhas inspirações...
Staring at the beautiful skylight
Through it i see them shinning
All together like living dots
Remotely they
Era já final de tarde. No trilho ao longe surgia a silhueta daquela singela casinha. De cor clara, confundia-se com a paisagem da pradaria.
Tinha portas e janelas, mas sem puxadores. Era a nossa imaginação que as abria. Estórias de fadas e duendes nas suas atarefadas vidas, contadas naqueles irregulares degraus, tão diferentes quanto nós. As telhas deixavam passar a chuva, que anunciava a cadência das emoções dos dias passados.
Desmesuradamente as ervas medravam, a casita envelhecia.
Voltar atrás é também uma forma de começar. Ir até ao início e reflectir sobre o desafio proposto.
Vamos então passar a ação. Escrever um texto que
inclua três palavras obrigatórias, mas apenas uma só vez.
Podemos começar com um verso de Camões: “Amor é fogo
que arde sem se ver” e sobre ele conjeturar, ou então, escrever apenas sobre de
que forma pode um “sorriso” influenciar a nossa disposição.
Sob pena de não conseguir escrever. Escrevi!
Sinto-me aconchegado neste lugar.
Pelo menos esta é a sensação que me conforta.
Este manto protege-me
do sol durante o dia, e do frio durante a noite. Mas será suficiente? Poderei
sobreviver assim, sozinho? Preciso de companhia, conviver com outros, voar sem
parar, descobrir os meus limites.
E se os meus limites
não passarem desta portinhola aberta? Olho e observo o instrumento que poderá pôr
termo à minha existência. Imóvel, condiciona a minha vontade, a minha
liberdade!
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| "eis a questão" de Alfredo Luz |
Duas ninfas sobre um penedo. Que estariam elas a conspirar? Para o céu olhavam e com pequenos rasgos de motejo, riam entre si. Desconfiadas olhavam em volta. Fitaram em mim os seus olhos.
Chamaram-me.
De repente senti um profundo anelo para me juntar a elas. O aroma apaziguante a canela emanava de ambas. Um autêntico frenesi me envolveu e consumiu.
Entretanto, coloco a minha luneta, manejo a minha caneta de aparo, e desato a escrever um soneto.
Ao longo do meu caminho
por sinuosas cordilheiras atravesso
quando o trilho alivia, logo
antecipo novos obstáculos.
Quero desapegar e serenar
impõe-se a responsabilidade,
o respeito e a humanidade.
Desvanecem-se as forças e
a sanidade parece vacilar.
Fecho os olhos, reflito, escuto
as vozes interiores que me atropelam e
confundem-me o discernimento.
Inflige a fadiga!
Não há quem melhor consiga
desta tormenta me livrar.
A grande maioria de nós tem um qualquer lugar que
marcou, mais ou menos, a nossa infância. O meu ficava nos vales (ou fica,
porque ainda existe), por onde passa um rio, mais para o centro-norte do país. Chegar
lá era uma verdadeira aventura na estrada. Levantávamo-nos às 4h30 da madrugada
para iniciar viagem pelas 5h30 o mais tardar. Não podia faltar o farnel para o
pequeno almoço, que tomávamos a certa altura à beira da estrada. A viagem
terminava após 6h de caminho, já pela hora do almoço quando lá chegávamos.
Como só havia um telefone na aldeia, era onde a minha
avó recorria para ligar à minha mãe, para dizer que tínhamos chegado bem. E
para ligar durante a semana, a contar novidades. A contagem das chamadas era
por impulsos, por isso não havia tempo a perder com grandes detalhes. Cada
impulso era muito caro, pelo menos para nós era!
Naquele tempo a praia fluvial era feita de seixos, uns
maiores outros menores, uns mais achatados que outros. A água do rio seguia tão
limpa que se podia ver o fundo e os peixes a fugir. Havia ainda as bateiras,
que eram utilizadas para atravessar o rio ou para pescar, embarcações sem
quilha e de fundo chato, feitas de forma artesanal, naquele tempo.
Tinha uma pequena cana de pesca que o meu avô me fez,
mas acho que nunca pesquei qualquer peixe com ela. Era mais pela emoção de ter
uma cana de pesca artesanal do que propriamente com a quantidade de peixe que
podia pescar. Também gostava muito de escolher um seixo dos mais achatados,
lançá-lo à água e vê-lo a saltar três e quatro vezes, quantas mais melhor.
A minha avó e as outras mulheres da aldeia lavavam a
roupa junto ao rio. Batiam a roupa com força nos seixos de maior dimensão e
depois de a bem torcer deixavam a secar ao sol.
A modesta casita onde morávamos, que já tinha sido
morada da minha bisavó, não tinha água canalizada, nem casa de banho, nem
esgotos. Apenas uma entrada com cozinha, e duas camas separadas por um
cortinado. Somente havia uma pequena janela por cima do lava-loiças. A água
potável, que usávamos em casa, ia buscar com um cantaro de plástico ao chafariz
que ficava no fundo da ladeira. Ficava mais difícil voltar a casa com o cantaro
cheio de água.
Durante as férias da escola, altura em que normalmente
ia para a aldeia, lembro que o meu pai levava lápis, cadernos, borrachas,
afias, canetas, para os miúdos da escola da aldeia, que era uma forma de poder
ajudar aqueles meninos. Eles ficavam muito felizes com todo aquele material
escolar.
Depois havia a tia Alice, que eu chamava de tia mas
não era minha tia. Talvez soasse bem dizê-lo. A tia Alice fazia umas broas de
milho divinais, cozidas em forno a lenha. Adorava comer as fatias de broa,
ainda quentes, com manteiga derretida. Ainda hoje sinto o cheiro a fumo na
cozinha da tia Alice, e as broas de milho a sairem do forno. Como não tínhamos
laleira na nossa modesta casa, passava os serões na cozinha da tia Alice, só
para ver o fogo a consumir a lenha na lareira de chão. Claro que não me esqueço
da toira, implacável no seu curral, a quem lhe dei o nome de “Loira” porque era
de cor castanha clara. Quando, no ano seguinte, retorno à “minha” aldeia,
constato que a Loira já lá não está. Tinha sido abatida para providenciar
alimento à família.
Em tempos idos, havia um pequeno café / minimercado na
aldeia, onde se podia comprar pouco mais que um sumo, ou conservas. Se
queríamos peixe ou carne teríamos de esperar pelo “petrolino”, acho que se
chama assim porque vendia petroleo para os candeeiros de pavio, única
iluminação de casa, à noite. O petrolino trazia também de tudo um pouco: sumos;
enlatados; bacalhau seco; peixe fresco; carne; e muitos mais alimentos. Era o
verdadeiro abastecedor da aldeia, naqueles tempos.
As pessoas da
aldeia subsistiam muito dependentes do que cultivavam, que era essencialmente
milho. Também cultivavam batata ou feijão, mas em menores quantidades. O milho
que produziam servia não só para consumo próprio, mas também para vender e
arrecadar algum dinheiro. A produção de animais (porcos, vitelos, cabrestos)
também se destinava, essencialmente, a consumo próprio. Quando por lá estava
gostava de ajudar a espalhar o milho nas eiras, para secar. Sentia-me útil
ajudar e participar nas tarefas artesanais dos habitantes da aldeia. Alguns
deles eram ainda meus familiares, embora primos mais afastados. Nas aldeias
somos todos, mais ou menos, primos, por razões óbvias e naturais.
Não me posso
esquecer de referir a saga dos incêndios que todos os anos assolavam a aldeia.
Lá um ou outro ano os incêndios florestais chegavam mais perto ou atingiam
mesmo os pinhais que envolviam a aldeola. Sempre era uma preocupação, pela
nossa segurança, como pela destruição de culturas e criação de animais. As
folhagens, ainda em chama, que chegavam perto das casas, trazidas pelo vento,
faziam espoletar focos de incêndios, que esforçávamos por prontamente apagar.
Na passagem de
ano não havia fogo de artifício, como nos centros urbanos. Mas havia
seguramente muitas tampas de tachos e panelas a bater umas nas outras. O som
ecoava pela aldeia toda. Todos à uma faziam com que parecesse um grande fogo de
artificio, bem sincronizado. Assim era recebido o ano novo na aldeia onde tantos
fins de ano passei.
Hoje tudo mudou,
já não há praia de seixos. As represas de contenção no rio, fizeram subir o nível
das águas, o que lamentavelmente fez com que a beleza natural destas praias
fluviais viesse a desaparecer. As águas são escuras (talvez mesmo sujas) pelo
que já não é possível ver o leito do rio como antigamente. As gentes da aldeota
são cada vez menos. Com o passar dos anos, e o inevitável envelhecimento dos
habitantes, a população vai diminuindo. Os filhos e os netos têm-se deslocado
para os centros urbanos, ou mesmo para o estrangeiro (procurando melhores
condições de vida). A aldeia está a ficar deserta, as casas estão a deteriorar-se,
se não mesmo a cair aos poucos. A modesta casa donde tantas memórias retenho,
está à venda (sabe-se lá por quem!). Já faz alguns anos que o chafariz secou.
Nem bica tem, mas está pintadinho de fresco!
Sem qualquer manutenção
e intervenção humana, a aldeia vai sendo consumida pela própria natureza, sucumbe
claramente aos pés da intempérie.
Adeus Lugar Querido!