segunda-feira, 11 de maio de 2026

Peuples qui ont faim

"É claro que eles preferem que eu não veja certas coisas.

Mas, sobretudo, o que não devo fazer é contar-lhes outras."

"- Vais dizer tudo?

- Tu vais?

- Vou tentar. Se não o fizer, ficarei arrependido para o resto da vida."


Peuples qui ont faim, 1934

Georges Simenon 

(Casa dos Krull)

quinta-feira, 15 de maio de 2025

«Tenta outra vez, falha outra vez, falha melhor»

Samuel Beckett

segunda-feira, 28 de outubro de 2024

Histórias

 Não tenho jeito nem vocação para contar histórias. 

Talvez seja por isso que nada me acontece! 

Conheço pessoas exímias contadoras de histórias. 

Fazem-me viver o momento, as emoções, e até, confesso, experimentar sentidos que nem sabia possuir.

Têm um dom especial que cativa, à espera do desfecho que nunca pensaria ser possível.

Muitas aconteceram na primeira pessoa, mas ninguém está preocupado com isso. 

Uma história vivida bem contada a alma encanta e isso é que é importante!



"Histórias apenas acontecem aos que são capazes de as contar." Paul Auster

quinta-feira, 24 de outubro de 2024

A Visita

 O comboio seguia a grande velocidade. Era de noite e alguns passageiros já estão a dormir mas alguns estão acordados. Destes, alguns estão a estudar ao computador e outros estão a brincar com os seus filhos. 

Espanha era o destino da viagem, e quando as pessoas saíram do comboio, começaram a sentir frio, porque estavam nos Pirineus.

Muitos nunca tinham visto a imponente cordilheira que separa a Península Ibérica do resto da Europa.

Entretanto, eis que o inevitável acontece e um passageiro mais incauto escorregou ao sair da composição para a plataforma ferroviária. Após este pequeno susto que, acorrido prontamente pelo assistente de bordo, a visita continuou conforme programado.

Do grupo de visitantes, o atendo guia notou que dois passageiros estavam a ficar mais para trás, sem aparente motivo, separando-se do grupo. Questionou, então, para si mesmo: - Que estarão aqueles dois a tramar?





Escrito com o contributo da pequena grande fofa de 7 anos.



quinta-feira, 26 de setembro de 2024

Flor

 extensos campos
uma flor que desperta
belos aromas 



quarta-feira, 25 de setembro de 2024

Rio

 Rio repleto
De vida as margens enches
Corres sozinho





terça-feira, 25 de junho de 2024

Antero de Quental

Façamos nós também, diante do espírito de verdade, o acto de contrição pelos nossos pecados históricos, porque só assim nos poderemos emendar e regenerar.


Os povos peninsulares são naturalmente religiosos: são-no até duma maneira ardente, exaltada e exclusiva, e é esse um dos seus caracteres mais pronunciados. Mas são ao mesmo tempo inventivos e independentes: adoram com paixão: mas só adoram aquilo que eles mesmos criam, não aquilo que se lhes impõe.


Que é pois necessário para readquirirmos o nosso lugar na civilização? para entrarmos outra vez na comunhão da Europa culta? É necessário um esforço viril, um esforço supremo: quebrar resolutamente com o passado. Respeitemos a memória dos nossos avós: memoremos piedosamente os actos deles: mas não os imitemos.


Revolução: revolução não quer dizer guerra, mas sim paz: não quer dizer licença, mas sim ordem, ordem verdadeira pela verdadeira liberdade. Longe de apelar para a insurreição, pretende preveni-la, torná-la impossível: só os seus inimigos, desesperando-a, a podem obrigar a lançar mão das armas. Em si, é um verbo de paz porque é o verbo humano por excelência.



in, "Causas da Decadência dos Povos Peninsulares", Antero de Quental